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Infraestrutura: grandes planos, desafios para executar

Infraestrutura: grandes planos, desafios para executar

Radar Profitto · Edição 003

Rodovias, ferrovias, gás para a indústria, data centers e os desafios de transformar planos em obras.

Com a reeleição definida, a conversa sobre infraestrutura já passa para os próximos anos: obras que precisam de prioridade no orçamento, concessões ferroviárias à espera de decisões, gás natural para a indústria e novos desafios para energia e construção. Os planos são grandes; a execução é que vai mostrar o que sai do papel.

Nesta edição 8 notícias

TCU aponta dez obras rodoviárias para prioridade no orçamento

O TCU indicou dez obras do DNIT que podem receber prioridade no Orçamento de 2027. Juntas, elas precisam de cerca de R$ 520 milhões para serem concluídas até o fim do próximo ano. A lista foi enviada ao Congresso e integra uma novidade do Fiscobras: além de apontar problemas, o relatório agora sugere onde recursos escassos poderiam ajudar a concluir obras relevantes.

A indicação não garante verba nem certifica a regularidade dos empreendimentos. É uma recomendação para a discussão orçamentária; o Congresso ainda decide a alocação. O ponto para acompanhar é se essa priorização se converte em orçamento suficiente e ritmo de execução nos canteiros.

Transnordestina: acordo prevê devolução de trechos e nova negociação

O TCU aprovou as bases de um acordo entre o governo e a Ferrovia Transnordestina Logística. O desenho prevê a devolução de cerca de 3 mil quilômetros à União, indenização de R$ 1,785 bilhão e a permanência da concessionária em aproximadamente 1,2 mil quilômetros entre o Porto de Itaqui, no Maranhão, e o Porto de Mucuripe, no Ceará.

A decisão abre caminho para negociar uma possível extensão de 35 anos, mas essa prorrogação ainda precisará passar por análise própria do TCU. O próximo marco será transformar as condições aprovadas em cronogramas, investimentos e responsabilidades claras para os trechos que mudam de gestão.

Reforma tributária: ANTT debate reequilíbrio nas concessões rodoviárias

A ANTT discute uma metodologia para apurar os efeitos da transição tributária nos contratos de concessão rodoviária em 2027 e 2028. A proposta prevê uma recomposição cautelar inicial de 60% do impacto líquido estimado, com acerto posterior. A Agência iNFRA acompanhou o debate; a ANTT confirmou a prorrogação da consulta até 30 de outubro.

Representantes das concessionárias consideraram o limite de 60% conservador e defenderam 80%. Já usuários de transporte de carga pediram que o impacto não seja repassado automaticamente às tarifas. A minuta ainda está em consulta e prevê que o ajuste possa ocorrer por diferentes mecanismos, conforme cada contrato. Para quem administra contratos, o ponto decisivo será como a ANTT fecha o cálculo e reconcilia o saldo depois da fase cautelar.

Reeleição de Lula: o que está no horizonte para a infraestrutura

Uma reportagem da CNN Brasil sobre os planos para o novo mandato aponta a continuidade do Novo PAC e da carteira de concessões. Para 2027, o Ministério dos Transportes apresentou 11 leilões rodoviários, com cerca de 4,5 mil quilômetros e R$ 54,9 bilhões previstos em obras. Na ferrovia, a carteira governamental reúne 18 projetos estimados em R$ 160 bilhões.

Esses valores descrevem uma carteira planejada, não investimentos já contratados. A própria reportagem ressalta que o cronograma rodoviário pode mudar e que a execução ferroviária depende da conclusão dos estudos, da modelagem e da atração de investidores. Para os próximos anos, vale observar quais projetos chegam a edital e quais conseguem avançar até a contratação e o início das obras.

Oito concessões ferroviárias entram no horizonte de 2027

O governo prevê leiloar oito concessões ferroviárias em 2027, mas a carteira ainda depende de aval do TCU para o modelo de financiamento e de recursos para projetos que exigem alto investimento. A Agência iNFRA detalha os trechos e os entraves, incluindo a EF-118, a Malha Oeste e trechos da Malha Sul.

Também há um limite operacional: a ANTT terá de estruturar e fiscalizar mais contratos com equipes e orçamento limitados. O próximo teste é ver quais projetos recebem sinal verde do TCU e chegam a edital no calendário anunciado.

Data centers: expansão exige energia, rede e planejamento

O Brasil pode dobrar a capacidade de data centers até 2030, segundo levantamento citado pela CNN Brasil. A reportagem aponta que parte da nova capacidade já está pré-locada e discute gargalos de energia e transmissão, além da pressão sobre água e outros recursos.

As projeções de expansão e investimento vêm de consultorias e executivos do setor; ainda não são capacidade instalada. Para acompanhar essa pauta, vale olhar se as conexões e reforços de rede avançam junto com os novos empreendimentos.

Construção: crescimento modesto, com crédito e mão de obra no radar

Especialistas do FGV IBRE projetam crescimento de 0,5% a 1% para a construção em 2026, conforme reportagem da Revista Grandes Construções. O emprego formal do setor avançou nos primeiros oito meses do ano, mas crédito para famílias de renda média, escassez de mão de obra e custos seguem como preocupações.

É uma projeção apresentada em encontro setorial, não o resultado fechado do ano. O cenário combina demanda e emprego ainda ativos com desafios para financiar projetos e montar equipes.

Indústria compra gás natural da União em leilão inédito

No primeiro leilão da PPSA, a União vendeu todo o volume ofertado: 1,1 milhão de m³ por dia, com entregas previstas entre março e dezembro de 2027. CSN, Gerdau, Samarco, Ternium e Vale arremataram 320 mil m³ diários reservados à siderurgia, metalurgia e mineração, segundo a CNN Brasil.

A PPSA informou que o leilão teve prêmio médio de US$ 2,44 por MMBtu e estimou preço médio final de US$ 5,83 por MMBtu para a molécula. Esse valor é uma estimativa da estatal; custos de transporte até as instalações industriais também precisam entrar na conta. O fornecimento em 2027 mostrará como esse gás chega, de fato, à operação das empresas.

Antes de abrir a agenda da semana...

Na sua leitura, o que mais pesa para tirar a infraestrutura do planejamento: orçamento, regras contratuais ou segurança para investir?

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